Carta 03: Continuação - Reforço Negativo e Punições.

Continuando o que começamos na carta anterior (ver Carta 02, no site: eternoaprendiiz.com). Vamos explicar resumidamente o que seria, após o reforço positivo, o reforço negativo, e as punições!



Reforço Negativo

Entendemos que o reforço é o que aumenta a frequência de um comportamento, e sabemos agora que uma das formas de conseguirmos isto, é, introduzindo algo como uma recompensa, algo prazeroso. Agora, caso não possamos ou desejamos introduzir nada para que um comportamento se reforce, o que podemos fazer?


Retirar o que for aversivo e incômodo.


Resumidamente, se por um lado precisamos introduzir algo que seja bom, por outro, devemos retirar algo que seja ruim, que cause desprazer ou incômodos em quem quer que seja que estejamos tentando reforçar (um amigo, parente, animal de estimação, não importa), o importante é entender que o reforço vem da mesma forma.

Vamos lá.


Exemplo: Algo Natural

Um exemplo bem bacana e simples que podemos dar aqui, é com relação a chuva e ao guarda-chuva.

Pensemos.

Nenhum ser humano nasce sabendo o que é e como funciona um guarda-chuva, a utilidade do mesmo é por nós apreendida, quando estamos maiores, e precisamos usá-los para não nos molharmos, e tal comportamento vai sendo automaticamente reforçado, até se tornar praticamente natural.


E como isso ocorre?

Julia está andando na rua, quando começa a cair gotas geladas de água do céu (está começando a chover), por enquanto, não está incomodando nossa protagonista (ela até gosta, está refrescando), mas então, a chuva aumenta, e as gotas ficam mais pesadas e mais geladas. O que Julia faz?

Abre o guarda-chuva, e retira o incômodo das gotas de água.

É, ou melhor, se tornou, tão simples e natural que não percebemos, mas a ação de abrir o guarda-chuva é reforçada negativamente, pois, quando abrimos, estamos retirando algo aversivo à nossa pessoa, algo que causa desprazer ou incômodo, no caso de Julia, as gotas de água provindas da chuva.

O comportamento de abrir o guarda-chuva, é reforçado negativamente em Julia, pois, faz com que o comportamento se repita outras vezes (nas próximas chuvas), por retirar as gotas de água aversivas e incômodas que se encontravam presentes.


E quando o assunto é evitarmos que um comportamento se repita?

Enfim, temos também a necessidade de diminuir até extinguir os comportamentos indesejados, e isso é possível utilizando na prática outro conceito da psicologia comportamental.

As punições. Vamos conhecer um pouco mais sobre elas.


Punição Positiva

Nós já aprendemos que o reforço é o que faz com que o comportamento se repita, agora iremos compreender como a punição faz com que um comportamento diminua até possivelmente se extinguir.

Assim como reforço positivo, a punição positiva necessita da introdução de algo para ser concluída. Nesse caso iremos fazer com que o comportamento deixe de se repetir introduzindo algo aversivo!

Se no reforço introduzimos algo prazeroso para reforçarmos um comportamento, na punição introduzimos algo aversivo, para punir este comportamento e assim buscar com que o mesmo deixe de se repetir.


Para a punição positiva, é necessária a introdução de algo aversivo.

É necessário deixar claro aqui, que a punição positiva deve ser considerada a pior forma de extinguir um comportamento. Muitas vezes, traumas podem ser gerados quando situações aversivas ocorrem com o intuito de punição, e as consequências no longo prazo podem não ser tão amigáveis.

Vamos para melhores explicações:


Exemplo: A chinelada

O maior exemplo que podemos buscar na punição positiva é a popular “surra”, ou melhor, quando os pais punem a criança (ou quem for que apanhe) com palmadas ou chineladas. A agressão pode fazer com que um comportamento diminua, mas as consequências futuras (como uma má comunicação com o filho, o medo ou o desrespeito) podem não compensar essa escolha.

Mas vamos lá, imaginemos que uma criança viva pulando no sofá de casa, e a mãe não suporta ver a sujeira que isso causa, as chances de quebrar o móvel, e se estressa com a cena. A mãe já o proibiu de fazer isso diversas vezes, mas a criança “teima” e não para.

O que a mãe faz? Bate na criança.

O que acontece é a tentativa de fazer com que a criança não repita o comportamento de pular no sofá da sala, e com isso, a mãe introduz algo aversivo na criança (a palmada ou chinelada), causando dor, medo, e fazendo com que a criança deixe de pular imediatamente.

Dependendo da personalidade do agredido, o mesmo pode até voltar a pular para provocar o agressor, ou melhor, a criança busca se “vingar” por ter recebido algo que não gostou, fazendo algo que a mãe não gosta. Mas, sim, muitas vezes a criança acaba deixando de pular no sofá, ou por medo de apanhar novamente, ou porque continuou pulando e já apanhou duas, três ou quatro vezes (a punição foi ocorrendo, e o comportamento foi diminuindo até se extinguir).


Punição Negativa

Se por um lado precisamos ter o problema de introduzir algo aversivo, por outro, precisamos fazer o oposto.


Para a punição negativa, é necessário retirar algo prazeroso.


Do mesmo modo como foi citado os problemas e as consequências da punição positiva, devemos entender que a melhor opção para a extinção de um comportamento é a punição negativa. Não é introduzido nada aversivo, não se corre o risco de traumas, de dores, de medos nem mágoas, o que ocorre é um desprazer momentâneo que pode servir como aprendizado.

Vamos explicar melhor:


Exemplo: O namorado viciado em games

Maria é namorada de João há 01 ano, e detesta quando vai visitar o namorado e o mesmo continua jogando em seu quarto, e dando pouca atenção para Maria.

Com o tempo e o incômodo criado, Maria começa a ir embora quando João não para de jogar.

João quer ficar com a namorada, ele nem percebia que ficava tanto tempo jogando, e começa a ficar triste quando ela se vai.

O que Maria está fazendo é punindo o comportamento de jogar do João, retirando algo que o mesmo gosta (ela mesma!).

Com o tempo, depois de umas três vezes que Maria esperou João por mais de 10 minutos e ele não parou de jogar, ela foi embora. Com a percepção de João, seu comportamento de jogar foi diminuindo, e hoje, após apenas 2 semanas que ela começou a fazer isto, João não joga nos dias que Maria o visita, apenas quando está sozinho, ou quando sua namorada e ele não tem o que fazer e o jogo não atrapalhará a relação.


Pronto, Maria conseguiu a atenção do namorado, e João permanece jogando, porém, nos momentos corretos. Ou seja, o comportamento de jogar na hora errada foi punido e se extinguiu, todos estão mais contentes, e o relacionamento mais saudável.

Agora entendemos um pouco mais sobre como funciona os reforços e as punições, e como podemos fazer com que determinados comportamentos se repitam, ou deixem de se repetir.

Porém, assim pode surgir outras dúvidas em nossa cabeça, e podemos discutir mais um pouco sobre alguns estudos da psicologia comportamental, ou behaviorismo.

Devemos sempre lembrar, querendo ou não, que todos os comportamentos acabam sendo reforçados ou punidos, e isso afeta a frequência dos mesmos!


Agradecimentos e Aprofundamentos:

Agradeço ao curso de psicologia por me apresentar muito mais do que o Behaviorismo e o Skinner, mas sim novos olhos para enxergar o mundo.

Aos curiosos e interessados pelo tema, alguns artigos podem ser interessantes, segue abaixo um bom exemplo:

https://revistaperspectivas.emnuvens.com.br/perspectivas/article/view/101


Esperamos que todos tenham gostado e aprendido algo novo com a carta de hoje, e os esperamos ansiosamente para o próximo domingo!

Um grade abraço a todos os eternos aprendizes!






As informações passadas na carta são relacionadas as interpretações do autor, assim, não se concretizando como conhecimento único imutável, e sendo cabível de novas e diferentes interpretações.


39 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo